Brigas constantes dos pais prejudica o desenvolvimento das crianças
8 de junho de 2018

Conheça o Movimento Slow Parenting

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Independente da idade, é provável que seu filho já tenha uma agenda lotada de compromissos. Escola, inglês, natação, reforço escolar, balé, terapia, turno integral, festinha do colega de turma; tudo é milimetricamente cronometrado para caber na rotina desses pequenos. Mas será que isso realmente ajuda no desenvolvimento deles? Na contramão dessa tendência, muitos pais vêm enxergando o potencial de uma vida mais desacelerada e aderindo ao Movimento Slow Parenting.

Disseminado pelo jornalista e escritor Carl Honoré, a ideia, segundo seus adeptos, é livrar os filhos dos excessos da vida moderna e lhes dar tempo e liberdade para serem crianças, apenas. Para isso, ter tempo livre para realizar cada atividade, escolher com o quer brincar e explorar as descobertas de cada etapa são fundamentais.

Para esses pais, os questionamentos sobre em que momento essa quantidade de atividades deixa de ajudar e acaba prejudicando o desenvolvimento das criança foram a chave para uma mudança no estilo de vida de toda a família. Afinal, para desacelerar o ritmo das crianças é preciso, antes de tudo, desacelerar o dos próprios pais.

“O movimento slow nos convida a refletir”, diz a coach e analista em inteligência emocional Semadar Marques. Para ela, viver uma vida com menos compromissos e mais tempo em família, respeitando o ritmo de aprendizado de cada criança é fundamental. “Como consequência, temos crianças mais felizes, espontâneas e que ficam satisfeitas com a presença dos pais e amigos”, explica.

O futuro da criança é hoje

Quem sobrecarrega seus filhos de atividades não o faz por mal – ao contrário. Para muitos pais, as atividades extra-escolares são vistas como ferramentas a mais na preparação para suas vidas adultas.

“Hoje, as crianças precisam ser as melhores na escola, no condomínio, na família. Este ritmo traz problemas emocionais e perdas significativas na qualidade de vida delas. Esse tipo de conduta tem ligação direta com ansiedade, desatenção, desmotivação e dificuldade em se relacionar”, diz a psicóloga infantil Graziela Freitas.

Por isso, especialistas alertam que de nada servem tantos estímulos se a criança não vivenciar cada etapa do seu desenvolvimento de forma plena. “O futuro da criança é hoje. Bons vínculos afetivos, bom contato com os pais e tempo para brincar são fundamentais”, afirma o pediatra Dr Leonardo Posternak. “Nada justifica os esforços exagerados e perigosos feitos com uma criança para gerar um adulto exímio. Respeitar o tempo e as características individuais das crianças parece algo fundamental”, conclui.

Os mandamentos do Slow Parenting:

1: Nada de agendas

Até os 5 anos as crianças precisam, essencialmente, brinca. Atividades estruturadas não são as mais indicadas nessa fase e o aprendizado deve acontecer de forma livre e espontânea.

2: Não permita que seu filho seja um “miniexecutivo”

Aulas de inglês, reforço escolar ou piano podem ser ótimos estímulos, mas é preciso ter cuidado. Feitas de forma exaustiva ou apenas pensando no currículo e na formação da criança, essas atividades podem ser prejudiciais ao desenvolvimento saudável.

3: Escute

Pode parecer óbvio, mas muito adultos simplesmente não escutam o que seus filhos têm a dizer. Ouvir suas opiniões é fundamental para gerar a autoconfiança que eles precisam para ser quem quiserem ser. Esse ato de amor, porém, não pode ser confundido com ausência de limites ou disciplina.

4: Brincar, brincar e brincar

A principal atividade das crianças nessa etapa da vida deve ser o brincar. É através da brincadeira que ela comunica-se consigo mesma e com o mundo, aceita a existência dos outros, estabelece relações sociais, constrói conhecimentos e desenvolve-se integralmente. Por isso, simplifique ao máximo a sua rotina para que ele tenha tempo livre para isso.

5: Ócio faz bem

Pode acontecer de, em algum momento, a criança não ter mais o que fazer e sentir tédio. Tudo bem. Ficar entediado pode ser uma ótima oportunidade de ensinar os pequenos a estimularem a criatividade ou mesmo a lidarem com as frustrações.

6: Tédio coletivo

Também é importante se juntar aos filhos por alguns momentos para ‘não fazerem nada juntos’. Se reunirem sem uma programação definida pode ser uma ótima chance de descobrirem novos hobbies e interesses em comum.

7: Estimule que eles façam novos amigos

Sair dos seus círculos sociais habituais, como a família e os amigos da escola, pode dar às crianças a chance de conhecer pessoas diferentes, de outras classes sociais, interesses e personalidades.

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