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Crônicas sobre a maternidade 1

Crônicas sobre puerpério

Por Priscila Letieres.

Imagine a cena.

Era meio da manhã e eu estava ali. Acho que eu estava.

Não me lembro a última vez que tinha escovado os dentes, mas usava uma calça legging e juntava aquele bando de nós de 3 dias no cabelo em um coque alto, completamente descabelada (blogueirinhas dirão que é trend, mas leia novamente, com-ple-ta-men-te)

Já tinham passado 47 dias desde a chegada do bebê de ser humano em minha vida. A longa rave-puerpério seguia frenética (é Universo Paralelo que diz, né? É UNIVERSO PARALELO MESMO).

Acho que não lembrava meu nome direito.

Mesmo sem nome eu estava ali, chegando na porta do apartamento, a caminho de abri-la para receber a conta de água enquanto a cria dormia gigantescos e longos 10 minutos no berço.

Tudo SERTO, incluindo um dos meus peitos que estava completamente pra fora da roupa – deixando o sutiã bege de amamentação, úmido, se questionando sobre sua existência, sobre sua necessidade, afinal, PRA QUÊ?

Estava ali, agradecendo o porteiro e brindando o céu limpo com um natural e completamente sem noção “que dia lindo, não?!”

Fechei a porta e não entendi muito bem porque ele me fitava os olhos, como quem não quer escorregar por nenhum segundo, completamente sem graça. “Ora, acho que meu cabelo assustou ele”, pensei enquanto sentia um frescor imprevisto em lugar inusitado.

Olhei pra baixo, ainda com a mão na maçaneta e no mesmo instante veio o desespero. Saí correndo cruzando os quartos e peguei o filhote, tão lindo, às pressas. “Amor meu, tá na hora do mamar”.

É neste caos físico, de esgotamento emocional e psicológico, é dentro desta realidade que co-habita um ser vivo como nenhum outro já visto pelos meus olhos. A menina dos meus olhos. Caguei pro peito de fora. O que importava mesmo tava lá dentro.

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