A força do pai
A força do pai
10 de agosto de 2018

Excesso de bagagem

Por Cristiane Rebouças

 

Última semana do ano e me dou conta que em 5 meses foram 21 viagens e nem sei quantos dias longe de minha filha, hoje com quase 6 anos.

A principal pergunta, certamente nunca feita a meu ex-marido neste tipo de situação, é:

– E Lara fica com quem?

Às vezes, num dia de mau humor, respondo que deixo ela presa no pé da cama, até eu voltar !

Mas a realidade é uma ginástica de verdade e envolve as pessoas que hoje reconheço como minha rede de apoio: irmãs, madrinha, amigas, o pai, minha afilhada e a Fá, a babá mais paciente e amorosa que Lara podia ter.

Além das questões logísticas, que sempre se solucionam, vem um sentimento quase unânime entre as mães: a culpa.

De não estar junto todo dia, de não preparar o lanche, de estar cansada demais pra brincar, de não poder dar colo num dia de gripe e febre, de não ver todas as atividades da escola, de esquecer alguns pedidos da professora, de ver uma filha mais carente e chorosa de sua presença. Culpa, culpa, culpa.

E todas as vezes que ela vem, o antídoto é entender a cria como um ser independente, capaz de se adaptar e sobreviver sim com as próprias pernas, superando medos, frustrações e carências. Pode parecer cedo, muito cedo pra pensar assim, mas o caráter e a forma de lidar com a vida se constrói nessa primeira infância. Se eu resolver tudo sempre e instantaneamente pra minha filha, numa redoma perfeita e colorida, como ela vai entender a vida real ?

Como educar exige resiliência, é claro que Lara não aceita mudanças de bom grado: chora, esperneia, testa e argumenta. Ô como argumenta ! E do meu lado vou alternando os sentimentos: certezas num dia, medos e dúvidas absurdas no outro, tranquilidade e ansiedade, mas no geral um misto de euforia e orgulho quando vejo o crescimento intelectual e emocional dela.

Fiz um email pra guardar memórias sobre minha pequena e pra ela poder acessar depois: “Um diário para Lara”. São registros engraçados, inusitados, mas serve principalmente pra eu não esquecer que estou aqui para e por ela para sempre, mas que ela precisa existir por si própria, sem depender de absolutamente ninguém. Nem de mim 🙂

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